O RETORNO PELO DESERTO: A CONTINUIDADE DA PURIFICAÇÃO

19/03/2011 17:21

 

Aproveitando gancho deixado pelo meu amigo Márcio Simão em sua postagem "Um Caminho Feito no Deserto", temos duas interpretações de uma mesma passagem do cânon, uma de ‘tradição judaica' e outra de ‘tradição cristã'. Tal passagem, de Isaías 40,3, teologicamente marca o início do Segundo Livro de Isaías, que seria do capítulo 40 a 55, ou seja, possibilidade de uma escola de profetas que relata os sofrimentos deste povo no cativeiro babilônio.

 

Anterior ao exílio (golah) babilônio, em Jeremias 07 versos 1-34 observa-se as ‘falas' do profeta com prescrições contra o templo. O templo está corrompido. Ainda assim Jeremias prega o arrependimento; havia tempo para se arrependerem, mas não só abandonarem suas práticas idolátricas - o templo estava repleto de outros deuses - a casa de IAHWEH fora invadida por deuses estranhos trazidos pelo seu próprio povo! (cf. verso 30). Destacamos o verso 06, que relata a NÃO prática do direito da justiça para com os necessitados, conforme o Deuteronômio. O templo que deveria ser lugar de bênçãos para os necessitados estava corrompido pelos seus próprios freqüentadores, a imagem de IAHWEH estava ‘arranhada' em função da idolatria e da não prática do direito aos necessitados. Ainda em Jeremias 07, dos versos 16 a 20, temos uma refeição familiar, da qual toda família participa do preparo, para ser oferecida à ‘rainha dos céus'. Ou seja, IAHWEH, que pela promessa - aliança aos pais - prometera e dera uma terra que mana leite e mel, terra fértil, com abundância de águas, em que se plantando tudo dava, estava perdendo lugar exclusivo na adoração para a deusa Ishtar (Astarte) esposa de Tamuz, divindade comum na Mesopotâmia (GUNNEWEG, 2005. p. 66).

 

A refeição familiar, segundo o código deuteronômico (Dt 12.13-15), deveria ser realizada nas tribos em Canaã segundo as bênçãos concedidas por IAHWEH ao seu povo. Ele é o abençoador de Israel por inteiro, a benção é integral - terra, água etc. - prosperidade até mesmo para os estrangeiros. A prosperidade em Israel pós-cativeiro egípcio significa: terra própria e fértil com abundância de águas para o plantio, nada próximo da prosperidade anunciada por muitos nos tempos atuais.

 

Mas Israel não deu ouvidos ao seu profeta; abandonou o seu Deus, e o pagamento pelas suas transgressões foi ter ser tornado uma ruína com a destruição de Jerusalém em 587 a.C, pelo império babilônio, conforme predito por Jeremias 7.34.

Isaías 40-55 já anuncia a chegada do império persa que trará liberdade pelas mãos de Ciro, instrumento de IAHWEH (cf. Is. 44,28). Israel passou longos anos no cativeiro por abandonar o seu Deus e ir atrás de outras divindades, profanando o templo e não dando a mão aos injustiçados. O pecado fora pago a duras penas, longo cativeiro, mas é hora de retornar para a terra de onde nunca deveriam ter saído. Isaías 40.3 é a preparação do caminho, o ‘novo Êxodo', uma ‘via expressa' para usarmos as palavras do professor Milton Schwantes. Significa um ‘novo Êxodo', mas agora o retorno será em estado de alegria, sem correria, a esperança tornou-se realidade, o deserto pós-exílio babilônio é lugar de bênçãos não mais haverá dor e prantos, a purificação acontecera no cativeiro, o retorno será em estado de paz e alegria por um deserto que dará mananciais de águas até a chegada a Canaã.     

Lucio Avellar   

 

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Data: 15/09/2015 | De: iIciney Paes Rangel

Belo texto meu amigo!! Sdd de suas aulas!!

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