UM CAMINHO FEITO NO DESERTO

19/03/2011 17:39

 

Mateus, em seu evangelho, apresenta João Batista relacionando-o a uma profecia de Isaías que dizia respeito a um pregador, no deserto, que prepararia o caminho do Senhor. Isto está registrado em Mateus 3.1-5.

 

Ocorre que há um problema nas traduções que fazem referência a João Batista e sua pregação no deserto. O texto, na grande maioria de nossas versões, afirma: "Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor" (Mt 3.3). Traduz a idéia de que o pregador está no deserto, e, de lá, proclama a sua mensagem. Os autores do NT logo associaram (não sem razão) este personagem citado por Isaías ao profeta João Batista. Ele é o que surge no deserto, conclamando o povo ao arrependimento devido à chegada do Reino de Deus.

 

Porém, os evangelistas utilizaram como fonte para seus escritos a Septuaginta (LXX), isto é, a versão do AT em grego. O ponto em questão é que a LXX traduziu de forma incorreta o texto hebraico de Isaías 40.3. Na verdade, na bíblia hebraica, o verso se lê da seguinte maneira: "Voz do que clama: no deserto preparai o caminho do Senhor".

 

Dessa forma, é o caminho de Deus que está sendo preparado no deserto. Aliás, isso condiz com o ministério de João Batista e do próprio Jesus: suas críticas às elites religiosas e políticas de seu tempo revelam que Deus não se associa aos centros de poder humanos. Antes, o caminho de Deus é feito no ermo, na periferia, entre os excluídos da sociedade, entre os que não têm voz nem vez na ótica destas elites.

 

Se é assim, então vale a pena questionar a prática evangélica que é praticada em nossas comunidades de fé. Desejamos estar com Deus, no deserto, ou preferimos nos aliar ao poder que busca monopolizar o acesso ao Sagrado? Nosso caminho segue a prática ministerial de Jesus, ou tem seus próprios interesses e desejos?

 

Que cada um responda.

 

Quanto a mim, prefiro buscar o deserto.

Marcio Simão de Vasconcellos

Tópico: UM CAMINHO FEITO NO DESERTO

Deserto

Data: 15/08/2017 | De: Enoque Francisco

Como uma tradução muda por completo o entendimento do texto sagrado. Porque os tradutores não fazem essa correlação e correção do texto? Pois dizer que João é a voz que clama no deserto é convincente, pois ele habitou no deserto. Mas quando há essa revisão que deixa claro que a mensagem de João era um convite para "A PARTIR DO DESERTO'' preparar o caminho do Senhor, o texto muda, o contexto é mais valorizado não por causa do profeta apenas, mas por causa da organização politico-religiosa que Lucas revela no capitulo três.
Obrigado pelo esclarecimento.
mantenho minha pergunta inicial: por que as traduções não fazem essa mudança?

deserto

Data: 28/05/2011 | De: davi josé dos santos

creio que o verdadeiro cristão está no deserto e por isso é guiado e se deixa guiar pelo cristo ,não foi a toa que João permaneceu um tempo no deserto e jesus tambem ,ambos seguindo o exemplo de Elias mostraram que há um tempo em que a voz do silêncio é mais forte que o grito dos fariseus e das falacias dos sacerdotes ...nas praças que não carregam consigo nenhum proposito de apontar o erro e o caminho correto .Há uma grande multidão sendo guiada em nosso tempo por viborás e lobos que infelizmente cairão no barranco ,por isso creio que o ministério profetico da igreja deve imediatamante ser restabelecido ,não como um dom de sensacionalismo barato e cheio de "eis que declaro isso ou aquilo ,etc" isso é tolice e talvez até diabolico pois confunde as pessoas que ainda que nào saibam conscientemente carecem de salvação ...

no deserto estamos na dependência de Deus

Data: 07/04/2011 | De: celso vasconcellos

sem dúvida o ser humano precisa sempre ter a sensação de carência de Deus pois o contrário leva-o a se esquecer de Deus.O deserto é um local de escassez de recursos,de fragilidade pois suas condições são inóspitas ao homem.Estar no deserto é estar na dependência de Deus para tudo,é declarar que somos pó,apenas pó.
Paz de Cristo.

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